Anotações

15.07.2007 por Cirilo Veloso Moraes

Não sei vocês, mas eu sempre tive o hábito de escrever tudo em caderninhos de anotações. Tudo bem que hoje faço isso no meu celular, que só falta falar [se é que não fala rsrs] (impressionante como a tecnologia avança tão rapidamente), mas estava procurando um livro antigo e acabei encontrando os tais cadernos. Tantas coisas maravilhosas, tantos acontecimentos memoráveis [muitos engraçados] do dia-a-dia ali registrados, e tanta porcaria também [kkk]. Eu anotava de tudo mesmo. Se estivesse assistindo um filme e ouvisse algo que gostasse, anotava; se alguém contasse algo diferente, ao chegar em casa anotava; se lesse algo interessante, anotava… Bem, acontece que abri um deles e dei de cara com um poema de Camões que retrata o amor platônico dele [que se contenta com a imaginação da amada] tornando-se noutro momento em aristotélico [que busca a satisfação corpórea]. Lindo mesmo. Até porque imaginar e viajar em pensamento é uma maravilha, mas abraçar e deleitar-se nos braços do ser amado é igualmente uma delícia. Eis o poema:

“Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sómente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co’a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;
[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma”.

L. Vaz de Camões

Bandolins - Oswaldo Montenegro

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Poesia Caipira

05.03.2005 por Cirilo Veloso Moraes

vila.jpg

Vô contá como é triste vê a veíce chegá,
Vê os cabêlo caíno, vê as vista encurtá.
Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá.
Vê “aquilo” esmoreceno, sem força prá levantá.

As carne vão sumino, vai parecêno as vêia.
As vista diminuíno e cresceno a sombrancêia.
As oiça vão encurtano, vão aumentano as orêia.
Os ôvo dipindurano e diminuíno a pêia.

A veíce é uma doença que dá em todo cristão:
dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão.
Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o pulmão.
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.

Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece:
vai passano pelas rua e as menina se oferece.
A gente óia tudo, benza Deus e agradece,
Correno ligeiro prá casa, procurano o INSS.

No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava
Eu tinha mil namorada, tudo de bão me sobrava.
As menina mais bonita, da cidade eu bolinava.
Eu fazia todo dia, chega o bichim desbotava.

Mas tudo isso passô, faz tempo ficô prá tráis
As coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz.
O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz.
Prá falá mesmo a verdade, nem trepá eu trepo mais.

Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça.
Pega a muié, vai pra cama, aparpa, beija e abraça,
Porém só faz duas coisa: solta peido e acha graça .

a.d.

********************

Como é final de semana, coloquei essa poesia caipira pra desopilar e trazer mais humor a este ambiente, porque rir ainda é o melhor dos remédios e a cura para muitos males.

Mas, mudando de assunto, nos dois últimos posts, de quinta e sexta, só há 6 comentários e 1 foi meu. Não sei porque as pessoas não comentam, não se expressam. Algum problema? Queria entender e claro fazer de tudo para melhorar. Afinal de contas, mantenho este espaço para as pessoas. Pago pelo domínio, pago pela hospedagem, só para continuar com meu objetivo de levar mais reflexão, debates, sentimentos, para a vida das pessoas. Poderiam enviar-me situações e experiências vividas e eu escreveria a respeito, poderiam suscitar algum tema para debate, etc. Contudo não se expressam, não se manifestam… Poxa. Nunca me preocupei com a quantidade de comentários, mas se quase ninguém está comentando, algum problema pode estar havendo e eu gostaria de saber.

Bem, excelente final de semana a todos.

Forte abraço e até muito breve.

Sinceramente.

Azul - Djavan

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Tua boca.

06.11.2004 por Cirilo Veloso Moraes

tuaboca.1.jpg
Tua boca.
Sim… Tua boca…
O desejo tomou conta de mim
ao beijar tua boca.
Sim…
Os meus lábios ainda pressentem
o próximo toque dos teus.
Boca linda…
Lábios vermelhos…
Desejo trazer junto comigo
Sempre…
Esse sabor de mulher.
Encostei meus lábios nos teus,
As bocas se juntaram…
E se encontraram tão belas…
Tão ansiosas… tão ávidas…
Bebi ali todo o teu veneno…
Bebi ali todo o teu desejo…
Dali, tua pele, sensível ao toque,
se desvendou para minhas caricias…
Meus lábios tocaram a tua pele…
Lábios, peregrinos, visitaram seus refúgios…
Linda mulher…
Lindo desejo…
Deixei algo de mim no teu beijo
que não recupero jamais…

a.d.

Feitio de Paixão - Jorge Aragão

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O amor que eu sempre quis

02.11.2004 por Cirilo Veloso Moraes

amor8.1.jpg

Quero um amor-criança!
Que cresce e aprende por ousar
sem medos ou travas.
Que desavergonhadamente
entrega-se a ânsia do descobrir,
do viver despretensiosamente.
Que ri, que chora.

Que enfrenta dificuldades sim,
mas não desiste, resiste.
Faz-se mais forte e insiste.
E não perde o encanto!
Pelo contrário, tem aquela magia
que a todos contagia…

Vira força motriz
nos problemas do dia a dia.
Sustento da alma,
nutriente do pensamento.
No corpo faz a consagração,
o apaziguamento…
Sonha e viabiliza.
Disponibiliza.

Compreende, recolhe, avança.
Anda de braços dados com a vida,
de mãos entrelaçadas às minhas.
Amor de olho no olho, e visão no horizonte…
Amor que flui como água, envolve, abraça,
nutre e conduz.
Que ao namoro sempre induz…
Que não esquece, seduz…
Amor que é mestre e aprendiz.
Este é o amor que eu sempre quis.

Rosany Costa
Do site “A Voz da Poesia”

Frisson - na voz de Evandro Marinho

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Queria um abraço hoje…

30.05.2004 por Cirilo Veloso Moraes

De repente deu vontade de um abraço.
Uma vontade de entrelaço, de proximidade…
de amizade, sei lá…

Talvez um aconchego que enfatize a vida
e amenize as dores…
Que fale sobre os amores,
que seja teimoso e ao mesmo tempo forte.

Deu vontade de poder rever
saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo
e preencha todo espaço
mas que faça lembrar do carinho,
que surge devagarzinho
da magia da união dos corpos,
das auras, sei lá…

Lembrar do calor das mãos
acariciando as costas a dizer… “estou aqui.”
Lembrar do trançar dos braços envolventes
e seguros afirmando “estou com você”…
Lembrar da transfusão de forças
com a suavidade do momento… sei lá…
abraço… abraço… abraço…
abraço… abraço… abraço…
abraço… abraço… abraço…

O que importa é a magia deste abraço!
A fusão de energia que harmoniza,
integra tudo, e que se traduz
no cosmo, no tempo e no espaço.
Só sei que agora deu vontade desse abraço!!
Que afaste toda e qualquer angústia.
Que desperte a lágrima da alegria,
e acalme o coração…
Que traduza a amizade,
o amor e a emoção.
E para um abraço assim
só pude pensar em você…
nessa sua energia,
nessa sua sensibilidade
que sabe entender o por quê…
dessa vontade desse abraço.

Autor: TrovadorPR
Voz: Sereníssima

Emprestado do site “A Voz da Poesia”

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Amizade.

26.05.2004 por Cirilo Veloso Moraes

Muito se falou sobre amizade!
O que é e sua importância
Como devemos mantê-la
Que ela não se perde pela distância.

Muito se falou sobre amizade!
O que deve ser feito por ela
Como devemos respeitá-la
Enfim como fazê-la bela.

Mas não quero falar dessas obviedades
Não quero saber se ela é importante
Ou se para algo é impotente

Quero falar uma verdade
Que se tem alguém dela representante
São vocês, certamente!

a.d.

Recebi da minha amiga Chris, com uma foto dela como fundo que tiramos esse final de semana.

Só que lembrei de já ter lido esse poema no blog da Rachel (Garota Marota)… Lembro que achei lindo. Lembro também que ela havia escrito algumas coisas muito verdadeiras e resolvi voltar lá.

Ela disse: “Amizade é isso mesmo, nada tira sua importância, nem abalos sísmicos, falta de telefonemas, escritos, a distância não interfere em nada… E é isso que me tranquiliza, saber que quando eu puder voltar, terei todos meus amigos aqui, como se eu nunca tivesse ficado tanto tempo longe”. Dedico as palavras da Rachel às amigas Chris, Andréia e Ju, que muito bem me acolheram em minha estada em SP.

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Você…

18.03.2004 por Cirilo Veloso Moraes

Há coisas lindas na vida:
Poesia,
Amor,
Você.

Poesia é linda porque é triste,
Amor é lindo porque existe,
Mas linda mesmo é VOCÊ.

Há coisas grandes na vida:
Amor,
Perdão,
Você.

Amor é grande, pois tudo isola,
Perdão é grande, pois consola,
Mas grande mesmo é VOCÊ.

Há coisas inexplicáveis na vida:
Deus,
Saudades,
Você.

Deus se ama, não se explica,
Saudade se justifica,
Mas como explicar VOCÊ?

Há coisas boas na vida:
Livros,
Carinhos,
Você.

Livros instruem a gente,
Carinhos, quem não os sente?
Mas bom mesmo para mim é VOCÊ.

Há coisas incompreensíveis na vida:
Crianças,
Sonhos,
Você.

Crianças, não sei se entendo,
Sonhos não os compreendo,
Só sei que amo VOCÊ.

obs: parabéns ao casal Giovani e Janaína, pelos primeiros quatro meses de estória juntos, e a todos os demais apaixonados desse mundo afora… Que sejam muito felizes.

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Caça e caçador

21.03.2003 por Cirilo Veloso Moraes

Revendo tempos passados…
um tempo em que nem Águia eu era…
de uma raposa tomava o nome…
e era de uma linda cor dourada…
corria pelos campos…
corria pelos chats… caçava almas…
caçava pessoas…
nada me detinha…
perseguia…
de minhas garras… não escapulia…
mas… eu não estava bem…
passado muito tempo…
acho graça… até um pouco de vergonha…
lá se foi aquele tempo do caçador…
as caças passaram…
ficaram apenas na história…
de uma época… que não retornará jamais…
essa águia que aqui está…
não caça…
não persegue…
não é um predador…
hoje…
sou o gato cansado…
uma raposa que se metamorfoseou…
em águia… águia real…
hoje restou o poeta…
o arquiteto…
o esteta…
sobrou um sonhador…
você que hoje me vê…
pode ficar tranqüila…
não sou águia perigosa…
apenas a minha pena…
é que nunca se cala…
sempre fala…
seja para alguém defender…
seja para escrever…
prosear…
poetar…
mandando um lindo recado para você…
pare… ouça essa melodia…
que na realidade…
não é um canto de saudade…
é um hino ao amor…
do meu…
do seu…
do nosso…

Águia

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Caminho do meio.

12.03.2003 por Cirilo Veloso Moraes

Reparaste que eu avanço
na exata proporção do teu recuo?
Se te mantivesses no caminho do meio
eu não precisaria avançar
e tampouco tu precisarias recuar…

Reparaste que eu encho a tua taça na mesma proporção
de que ela se me apresenta sempre vazia?
Se ela se mantivesse à meia borda,
por certo eu não a transbordaria…

Reparaste que eu falo demais
na exata medida em que tu falas de menos?
Se ao invés de silêncio retornasses as minhas falas,
na tua fala, o meu próprio silêncio se equilibraria …

Reparaste que todos os meus sins
se contrapõem a todos os teus nãos ?
Se houvesse alguns sins dentre os teus nãos,
os meus próprios sins
aprenderiam a dizer talvez e no talvez,
os nossos sins e nãos se reconciliariam…

Avança um pouco para que eu consiga recuar.
Transborda um tanto a minha taça para que eu possa esvaziar.
Rasga de leve o teu silêncio para que eu aprenda a me calar.
Articula algumas afirmações para que eu aprenda a me negar.
Fica da minha altura para que eu não tenha que esticar.
Equilibra assim os nossos pratos
para além da nossa guerra de egos.
…E só então, em plenitude e verdade,
eu poderei te amar…

Fátima Irene Pinto

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Agonia da rosa

02.12.2002 por Cirilo Veloso Moraes

Mulher, sofres em companhia
De quem não sabe te amar?
De quem não conhece a poesia
Que há no depois de se dar?

Mulher, sofres o desprezo
Após transvestires em objeto?
Depois de, com tanto enlevo,
Doares teu ser por completo?

Pseudo companheiro saciado,
Não vês que depois continua
Pulsando o carinho calado
Nas veias daquela ainda nua!?

Onde estarão os lindos versos
Escritos em tempos de outrora?
Estrofes mostravam o inverso
Do que tu te mostras agora.

Por que te viras e finges
Não ter o afago, a magia?
Perdeste o ensejo sublime
De transformares em poesia.

Exiges daquela, que usurpas,
Prazeres para ti somente.
Assim, tu não amas! Estupras!
Violência… coração demente.

Mulher, que choras à mingua
Na morte da doce ilusão,
Perdoa esse ser que ainda
Não sabe o que é paixão.

SENHOR! Perdoa os brutos
Que ainda não sabem amar!
Tua bela criação sofre o luto
Na morte do verbo sonhar.

Mulher… criação divina!
Vem meu peito regar
Com lágrimas de tua sina.
Quero te consolar!

Declamo meus versos e prosas
Para teu peito ferido.
Permita-me enchê-lo de rosas!
Curar-te o coração combalido.

Celso Brasil

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Soneto do amor total

25.11.2002 por Cirilo Veloso Moraes

Amo-te tanto, meu amor…não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

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Amar, por Drummond

15.11.2002 por Cirilo Veloso Moraes

Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar ?
amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar ?
sempre, e até de olhos vidrados amar ?

Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho,
em rotação universal, senão rodar também, e amar ?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia ?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru, um vaso sem flor,
um chão de ferro, e o peito inerte,
e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

(Carlos Drummond de Andrade)

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Sigo o teu vôo

12.11.2002 por Cirilo Veloso Moraes

Sigo o teu vôo certo
e te atraio com afeto…
pois eu sou a tua flor

Diz-me graciosa ninfa:
que cor é essa que te magnifica?
Qual o artista que te imaginou?

Se comigo a natureza foi pródiga
em ti por certo que extrapolou.

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Os poemas são pássaros

12.11.2002 por Cirilo Veloso Moraes

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

Mário Quintana

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