Mar22009

E se a morte chegasse agora?

barcoE se você soubesse que iria morrer hoje – o que faria?

Essa pergunta foi feita a um homem, no século XIII. Um ser iluminado.

Nascido em berço de ouro, conheceu as delícias da abastança. Filho de rico mercador, trajava-se com os melhores tecidos da época. Sua adolescência e juventude foram impregnadas das futilidades daqueles dias, em meio a expressivo número de amigos.

Assim transcorria sua vida, quando um chamado se deu a esse jovem.

Ele então se despiu dos trajes da vaidade e se transformou no Irmão Francisco, o Irmão dos Pobres.

Sua alma se encheu de poesia e ele passou a compor versos para as coisas pequeninas, mas muito importantes, da natureza. Chamou irmãos à água, ao vento, ao sol, aos animais. Sua alma exalava o odor da alegria que lhe repletava a intimidade.

Certo dia, enquanto arrancava do jardim as ervas daninhas, Frei Leão, que o observava, lhe perguntou:

Irmão Francisco, se você soubesse que morreria hoje, o que faria?

Francisco descansou o ancinho, por um instante. Seus olhos, apagados para as coisas do mundo passageiro, pareceram contemplar paisagens interiores de beleza.

Suspirou, pareceu mergulhar o olhar para o mais profundo de si e respondeu, sereno:

Eu? Eu continuaria a capinar o meu jardim.

E retomou a tarefa, no mesmo ritmo e tranquilidade.

Quantos de nós teríamos condições de agir dessa forma? A morte nos apavora a quase todos. Tanto a tememos que existem os que sequer pronunciam a palavra, porque pensam atraí-la. Outros, nem comparecem ao enterro de colegas, amigos, porque dizem que aquilo os deprime, quando não os atemoriza.

Algo como se ela nos visse e se recordasse de nos vir apanhar.

E andamos pela vida como se nunca fôssemos morrer. Mas, de todas as certezas que o mundo das formas transitórias nos oferece, nenhuma maior que esta: tudo que nasce morre um dia.

Assim, embora a queiramos distante, essa megera ameaçadora que chega sempre em momentos impróprios, ela vem e arrebata os nossos amores, os desafetos, nós mesmos.

Por isso, importante que vivamos cada dia com toda a intensidade, como se nos fosse o derradeiro.

Não no sentido de angústia, temor, mas de sabedoria. Viver cada amanhecer, cada entardecer e cada hora, usufruindo o máximo de aprendizado, de alegria, de produção.

Usar cada dia para o trabalho honrado, que nos confira dignidade. Estar com a família, com os amigos.

Sorrir, abraçar, amar.

Realizar o melhor em tudo que façamos, em tudo que nos seja conferido a elaborar. Deixar um rastro de luz por onde passemos.

Façamos isso e, então, se a morte nos surpreender no dobrar dos minutos, seguiremos em paz, com a consciência de espíritos que vivemos na Terra doando o melhor e, agora, adentraremos a Espiritualidade, para o reencontro com os entes queridos que nos antecederam.

Pensemos nisso.

Adaptado da Redação do Momento Espírita

Evandro Marinho – Sonho Lindo (O Som do Barzinho Vol.10

Comente você também



Você gostou daqui? Então  assine o feed RSS dos posts e todas as vezes que o blog for atualizado você será avisado. Para mais explicações, clique aqui. É grátis!

11 Respostas

Comment RSS Trackback URL
  1. juniorMarch 2nd, 2009
  2. VanMarch 3rd, 2009
  3. PattyMarch 3rd, 2009
  4. Lu SouzaMarch 3rd, 2009
  5. Neto CuryMarch 3rd, 2009
  6. CarlaMarch 3rd, 2009
  7. MichaMarch 3rd, 2009
  8. Suelyn MoraisMarch 3rd, 2009
  9. MaguiMarch 4th, 2009
  10. Lulu on the skyMarch 4th, 2009
  11. EngraçadinhaMarch 5th, 2009

Deixe um comentário


Você pode marcar a caixa de seleção acima e ser avisado por email de cada novo comentário deixado nesse post. De qualquer maneira, a minha resposta a seu comentário será feita por e-mail.