Sobre ciúme e violência: alerta geral!
Hoje compartilho com vocês o desabafo e principalmente o alerta enviado a mim por e-mail pela minha amiga Daysi Balsini, acerca do ciúme e violência – desvios de personalidade e de conduta que ensejam os crimes passionais.
“O fato que me instigou a escrever foi esse caso da menina Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, brutalmente assassinada pelo ex-namorado, sobre o qual preciso desabafar e expor algumas considerações. É desalentador para uma mulher de 46 anos como eu, funcionária pública, feminista, equilibrada, calma e independente, constatar que em pleno século 21 não só mulheres mas meninas continuam sendo vítimas do machismo e do patriarcalismo, mesmo após a revolução sexual que se operou no século 20 e de todas as conquistas obtidas pelas mulheres – não sem muita luta – no mercado de trabalho e na sociedade como um todo… Como é possível que ainda existam homens – inclusive jovens – imaginando serem proprietários do corpo e dos sentimentos das mulheres a ponto de se considerarem no direito de pôr fim à vida delas? Eloá foi vítima do machismo e da complacência social e cultural que ainda perdura para com os chamados crimes passionais. O maior emblema disso foi o tiro não fatal que ela levou na vagina (virilha esquerda), além do tiro disparado contra a cabeça dela, que lhe tirou a vida. A polícia militar admite que teve seis oportunidades de matar o seqüestrador sob a mira de um atirador de elite, mas não o fez, segundo o comandante, “para não tirar precipitadamente a vida de um jovem de 22 anos em crise amorosa”. Nesse caso específico, apesar de se tratar de “paixão”, o crime perdeu os contornos de passional à medida que foi premeditado e que o criminoso teve 100 horas para conter seu impulso homicida. O vacilo custou a vida da garota e a integridade física da amiga, que por sinal jamais poderia ter sido devolvida ao cativeiro após libertada, algo absurdo e inusitado, pois em se tratando de uma menor, deveria ter sido protegida pela polícia e pela família. Sinto famílias preferindo fazer de conta que os jovens não transam ou mais recentemente muito preocupadas com a gravidez precoce (não sem razão), porém ainda omissas senão negligentes no que concerne à educação afetiva. Os meninos precisam ser ensinados a respeitar o corpo e o direito de opção da mulher, ou melhor, a respeitar a mulher como um ser autônomo e livre. As meninas precisam ser alertadas e orientadas pelos pais, tios, avós e pessoas que com elas se preocupam a perceber os sinais de homens com desvios de personalidade e de conduta. Ciúme e possessividade precisam deixar de ser considerados demonstrações de amor – como quer o senso comum – e passarem a ser vistos como patologias das quais elas devem manter distância… Que não venham colocar a culpa no orkut e no celular: o cerne do problema está no comportamento doentio de pessoas que não sabem lidar com orkut e celular porque não sabem lidar com as falhas, as perdas, os insucessos, os erros da vida. Não estou dizendo aqui que devam os pais proibirem namoros e sim que devem procurar dar aos seus filhos as condições e as informações para identificar por conta própria o que é bom para si mesmos, sem superproteção. Para isso não bastam os códigos religiosos moralistas: é preciso acessar e partilhar a informação científica, disponível abertamente há dois séculos. Embora a maioria desses crimes seja contra mulheres – hoje mesmo ocorreu outro caso em Sorocaba, onde um ex inconformado de 22 anos atirou e matou a parceira de 16 com quem tinha um filho – é bom lembrar que o comportamento violento também ocorre entre mulheres. É mais comum a mutilação, mas lembrem-se daquela série americana – Dormindo com a Inimiga – sobre vários casos verídicos de mulheres que mataram os maridos, namorados ou ex, a maioria por envenenamento ou simulação de assalto, com objetivos financeiros e/ou para vingar separações e casos extraconjugais, ou ainda em cumplicidade com seus próprios amantes.a avaliação que fiz desse caso da menina Eloá estava um tanto dissonante do senso comum, sempre tão complacente com os ciumentos, possessivos e violentos, que justificam seus atos em nome do amor, até assistir à entrevista do Jornal das Dez (Globonews) com a brilhante procuradora de São Paulo Luiza Nagib Eluf, que pôs os pingos nos is. Foi quando reafirmei a mim mesma e agora o faço a quem me lê: tolerância zero para com a violência. Não pode haver complacência. Ao primeiro sinal de possessividade e violência, termine-se o namoro. Ao primeiro ato de violência, registre-se queixa policial e demais medidas legais cabíveis. A vida e a integridade valem mais do que o amor, do que o dinheiro, do que as instituições e seus códigos, do que as propriedades, do que tudo. Às pessoas violentas não se abre a porta… nem as pernas… nem os braços… enfim, não se abre a guarda, sob pena de acabar como a menina Eloá e tantas outras que – por ingenuidade e desinformação – subestimaram as conseqüências de uma relação patológica, foram mortas ou mutiladas… e também não se abre a boca… quando alguém está em surto e principalmente armado, não se diz nada que possa provocar essa pessoa e acirrar o descontrole… Digo isso não só pelo que já vi e li, mas também por algumas situações por que já passei, seja de ex-marido ou ex-namorado, pessoas com seus afetos perturbados e incapazes de buscar uma saída saudável, qual seja um tratamento psiquiátrico e/ou psicológico. Há coisas na vida para as quais a tolerância é zero – e a violência é uma delas. Gente pacífica, bonita, inteligente, alegre e feliz não combina com gente violenta e nem sabe o que fazer, como fazer, quando fazer. Quem cuida de gente violenta é a polícia.”
Que possamos tirar lições das tragédias ocorridas na vida…
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- Carta de um homem às mulheres do mundo inteiro
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Realmente uma história completamente triste e sem entender… O amor é livre, eu pensava enqnto assistia todo aquele drama. Mas o que me fez refletir mesmo foi a idade da criança qndo começou a namorar um homem… Ela tinha 12 anos e ele 19, uma diferença visível de 7 anos… tristee fim!!!
Beijos
@Brisa: Daí a importância de se educar afetivamente os filhos… Se bem que esbarra na questão de ter tido os pais uma educação afetiva e vivido numa relação de amor. Porque no mais das vezes os filhos são frutos dos exemplos de casa. Aliás, isso me remonta a uma constante afirmação: educação moral começa por se aprender no seio familiar.
Muito bom o texto! Pra refletir e mudar algumas coisas que urgentemente precisamos. Beijo
@Patty: Refletir, sim, sempre; mas igualmente agir. É aquela história… o desejo é condição para a realização, mas se você não agir, não há sonho que se realize. E infelizmente é o que mais se vê, pessoas falando muito e fazendo pouco. É até engraçado quando alguém pede meu engajamento em algum projeto e eu pergunto: “O que você está fazendo para mudar isso?” Muitos não sabem responder ou não têm uma resposta plausível a dar. Sem falar que ainda há aqueles que falam falam falam, mas esperam mesmo é a ação dos outros; é como gritar em defesa do meio ambiente, mas jogar lixo nos rios…
E eu ainda acreditei no inicio que esse miserável estava realmente passando por transtornos sentimentais e que aquilo era só pra chamar a atenção e iria acabar devolvendo a garota…
quando soube dos tiros, pensei: Para esse cara, a morte é ganho! ele tem de sofrer na cadeia, ou então em um país ao qual eu não recordo que os presidiários trabalham na lavoura o dia todo perpétuamente.
Tem que ser assim!
Eu que estou solteira, fico até receosa em conhecer caras (como ele, que aparentava ser normal, tinha dois empregos, tinha amigos, não tinha vício “normal”)mas por dentro tinha a doença. isso é doença! na boa! precisamos urgentemente estar vacinados contra não só homens mas mulheres também assim deste jeito…
Esses dias postei um texto revoltado contra uma matéria do Fantástico sobre as festas de 15 anos atuais. Depois se assutam com adolescentes grávidas.
Exploração da mulher e machismo não mudaram nada. E logo depois do caso de Sto André ainda teve um em Sorocaba mas sem repercussão porque não houve 100 horas de sequestro.
Falta mesmo educação sentimental e sexual sim. Mas não creio que tenha jeito. Acho que sou diferente nesse aspecto porque fui criado pela minha mãe, que é uma mulher esclarecida. Outras mulheres já pensam diferente, que elas são subservientes ao homem.
O amor já é complicado; imagina quando se inclui ciúme doentio, possessividade, violência?
Nós, mulheres, temos que saber conhecer os sintomas daquilo que não nos faz bem e cair fora antes que seja tarde demais…
Bjo.
Corretíssima!
Ela está coberta de razão,CIRILO. Totalmente certa. Alias,se juntarmos ela e a MAGUI,tenho certeza que causariam uma revolução ( pro bem ) em muitas coisas.
Abração!
@Thays Nascimento: Revolta, não é? Entendo perfeitamente. E que sirva de alerta pra que todos comecem a entender que ciúme e possessividade é doença, e não demonstração de amor.
@Murdock: 1 – Não vi a matéria que mencionaste do fantástico, daniel, mas lerei a respeito no seu blog. 2 – Sobre o caso em sorocaba, a Daysi falou também no texto, mas a mídia não fez tanto alarde. 3 – E como falta educação sexual e sentimental. Também penso diferente porque minha mãe foi mãe solteira por opção (independente demais para ter um marido) e sempre me criou para tratar bem as mulheres, para vê-las como algo a ser amado, respeitado, e não possuído. Sem falar que ela sempre me ensinou que em numa relação as pessoas seriam mais felizes se entendessem o seguinte: Estamos juntos, mas não somos um. Eu sou eu e você é você. Amo você, mas não dependo de você para ser feliz. É uma decisão estarmos juntos. Se não der certo, que cada um siga seu caminho, cada um na sua. Só não vivo sem mim.
@Carla: Perceber e cair fora antes que seja tarde. Isso aí, Carlinha. Infelizmente muitas mulher fingem que não estão vendo…
@Fernanda: Concordo.
@DO: Com certeza, meu amigo. A Daysi e a Magui são extraordinárias. Abração.
Não acredito que o o Linderberg amava Eloá. No caso dele era obsessão, pq não aceitava hipótese alguma o fim do namoro, como se a garota fosse obrigada a viver com ele o resto da vida. Ninguém é dono de ninguém, compartilhamos a vida com outra pessoa porém, nós mesmos temos o livre arbítrio para seguir nossas próprias escolhas.
Big Beijos
Ci, esqueci de fazer uma pergunta: Kd a resposta do desafio da semana passada?
Big Beijos
A Daysi disse tudo e eu assino embaixo!
Mas Cirilo, um cupim de boi inteirinho!? Uia! Benzadeus! hahahhaaa… isso é que é apetite…
Licença dona morena, mas tenho que dizer que o Cirilo é um homem bonitão e charmoso!
Obrigada pelas felicitações e também pelo meme… assim que eu tiver uma folguinha aqui, respondo sim… é que na quinta e na sexta eu fico sobrecarregada e pouco chego perto do meu e dos outros blogs…
Bjo
See you…
…
oi, peço licença e já vou entrando, rs…
muito bom esse texto, nos faz parar para uma reflexão. Aquele rapaz era um egoísta doente, não amava a Eloá…
gostei muito do teu blog!
bjo
Olá…
Cheguei aqui pelo MATUTANDO…
Gostei…
Volto mais tarde pra ler o que ainda não li…
Ah… Vou linkar seu blog, posso?
byeeee…
Acho que a mídia tornou o caso um espetáculo, apesar do fato ser horroroso poucas pessoas realmente refletem sobre o que aconteceu. Simplesmente assistem pedrificadas as “notícias”.
Ciúme, violência, passionalidade… acredito que todos estão sujeitos à sentir – será que também não somos capazes de matar. O texto fala sobre a educação dos sentimentos, mas será “realmente” possível no calor das emoções? Eu gostaria que sim, se não seríamos selvagens, mas a força do instinto é tão grande.
Cirilo, ela disse tudo. Já é hora de pararmos de achar que somos donos dos outros. Nem os filhos que são o nosso sangue não nos pertencem, que dirá alguém que tem o direito de amar quantas vezes quiser na vida. Dê a ela os meus parabéns.
Beijocas
Cirilo, desculpa, não li, não aguento mais nada desse caso, superexposição de mais rs
beijos
Então menino…pior que casos como esses ocorre diariamente. Tenho alguns exemplos na minha propria familia de ciume desmedido, das tais ‘provas de amor’, eu que nao quero isso pra mim. Lembra do nosso trato? Tô ate feliz que to me comportanto direitinho, com uma filosofia meio torta, mas to conseguindo, ahahahahhaa.
Bem pra quem tá comigo, melhor pra mim…
kisses, kisses
Lu