Lei seca no trânsito
Como hoje é sexta-feira, resolvi publicar um texto do Drauzio Varella sobre a chamada “Lei seca” (Lei nº 11.705/08, que modificou o art. 206 do CTB).
GOSTO DE BEBER, e confesso sem o menor sentimento de culpa. Álcool, de vez em quando, em quantidade pequena, dá prazer sem fazer mal à maioria das pessoas.
Aos sábados e domingos, quando estou de folga, tomo uma cachaça antes do almoço, hábito adquirido com os carcereiros da antiga Casa de Detenção. Difícil é escolher a marca, o Brasil produz variedade incrível. Tomo uma, ocasionalmente duas, jamais a terceira. Essa é a vantagem em relação às bebidas adocicadas que você bebe feito refresco, sem se dar conta das conseqüências. Cachaça impõe respeito, o usuário sabe com quem está lidando: exagerou, é vexame na certa. Cerveja, tomo de vez em quando. O primeiro gole é um bálsamo para o espírito; no calor, depois de um dia de trabalho e horas no trânsito, transporta o cidadão do inferno para o paraíso. O gole seguinte já não é igual, infelizmente. A segunda latinha decepciona, deixa até um resíduo amargo; a terceira encharca. Uísque e vodca, só tenho em casa para oferecer às visitas. De vinho eu gosto, mas tomo pouco, porque pesa no estômago. Além disso, meu paladar primitivo não permite reconhecer notas de baunilha ou sabores trufados; não tenho idéia do que seja uma trava sutil de tanino, nem o aroma de cassis pisado, nem o frescor de framboesas do campo. Em meu embotamento olfato-gustativo, faço coro com os que admitem apenas três comentários diante de um copo de vinho: é bom, é ruim, e bebe e não enche o saco.
Feita essa premissa, quero deixar claro ser a favor da chamada lei seca no trânsito.
Sejamos sensatos, leitor, tem cabimento ingerir uma droga que altera os reflexos motores, o equilíbrio e a percepção espacial de objetos em movimento e sair por aí pilotando uma máquina na qual uma pequena desatenção pode trazer conseqüências fúnebres?
Ainda que você não seja ridículo a ponto de afirmar que dirige melhor quando bebe, talvez possa dizer que meia garrafa de vinho, três chopes ou uísques não interferem na sua habilidade ao volante.
Tudo bem: vamos admitir que, no seu caso, seja verdade, que você tenha maior resistência aos efeitos neurológicos e comportamentais do álcool e que seria aprovado em qualquer teste de resposta motora.
Imagino, entretanto, que você tenha idéia da diversidade existente entre os seres humanos. Quantas mulheres e quantos homens cada um de nós conhece para os quais uma dose basta para transtorná-los? Quantos, depois de duas cervejas, choram, abraçam os companheiros de mesa e fazem declarações de amizade inquebrantável? Está certo permitir que esses, fisiologicamente mais sensíveis à ação do álcool, saiam por aí colocando em perigo a vida alheia? Como seria a lei, então? Deveria avaliar as aptidões metabólicas e os reflexos de cada um para selecionar quem estaria apto a dirigir alcoolizado? O Detran colocaria um adesivo em cada carro estabelecendo os limites de consumo de álcool para aquele motorista? Ou viria carimbado na carteira de habilitação?
Talvez você possa estar de acordo com a argumentação dos advogados que defendem os interesses dos proprietários de bares e casas noturnas: ‘A nova lei atenta contra a liberdade individual’. Aí, começo a desconfiar de sua perspicácia. Restrições à liberdade de beber num país que vende a dose de pinga a R$ 0,50? Há escassez de botequins nas cidades brasileiras, por acaso? Existe sociedade mais complacente com o abuso de álcool do que a nossa?
Mas pode ser que você tenha preocupações sociais com a queda de movimento nos bares e com o desemprego no setor. A julgar por essa lógica, vou mais longe. Como as estatísticas dos hospitais públicos têm demonstrado nos últimos fins de semana, poderá haver desemprego também entre motoristas de ambulâncias, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, agentes funerários, operários que fabricam cadeiras de rodas, sondas urinárias e outros dispositivos para deficientes físicos.
No ano passado, em nosso país, perderam a vida em acidentes de trânsito 17 mil pessoas. Ainda que apenas uma dessas mortes fosse evitada pela proibição de beber e dirigir, haveria justificativa plena para a criação da lei agora posta em prática. Não é função do Estado proteger o cidadão contra o mal que ele faz a si mesmo. Quer beber até cair na sarjeta? Pode. Quer se jogar pela janela? Quem vai impedir? Mas é dever inalienável do Estado protegê-lo contra o mal que terceiros possam causar a ele.
*****
Assim como o Drauzio, gosto de beber; pelo visto mais do que ele. Deleito-me ao saborear certas bebidas, hábito adquirido em casa, desde muito jovem. Entretanto, igualmente em casa, aprendi que tudo tem limite, que é preciso apreciar com moderação e, mais ainda, que se beber não devo dirigir, pois o álcool diminui os reflexos, torna-me desatento, etc. Então fico pensando: é tudo uma questão de educação. A lei não está proibindo ninguém de beber; apenas de beber e dirigir em seguida. Quer beber? Volte de táxi, saia com a turma e façam a eleição do “amigo da vez”, dê as chaves do carro para a namorada (mulheres que não bebem e sabem dirigir estão em alta¹, hein rsrsrs), dentre outras opções.
Enfim, seja sensato e se for dirigir não beba; se for beber me chame (eu pago o táxi).
Abraços a todos e um excelente final de semana.
¹ 
Upside Down – Jack Johnson
Você gostou daqui? Então





Ter bom senso é preciso,CIRILO. A abordagem do Dr Drausio é a pura verdade. Confesso que não tinha pensado sob esta óptica.
Adorei a faixa,rssss
Bom fds!!
Verdade…as pessoas que não bebem estão em alta……ehhehehehehhe….
Gostaria antes de tudo de parabenizar esse blog tão interessante. Os artigos me fazem refletir muito sobre a vida e tudo o que importa realmente!
Gostaria de lhe pedir autorização para coloca-lo em meu Blog Roll. Inclusive gostaria de citar alguns textos do blog (com a devida autoria) no blog que criei algum tempo atrás. Vou colocar o link para que você também também possa visitá-lo.
http://proatividade.wordpress.com
Parabéns pelo post. Excelente escola e vem cair como uma luva. Sou fãzoca do Dráuzio. Adorei!
Beijos
Oi, sumido!
Quando vi seu comentário lá no Lonely lembrei-me que também andei sumida daqui…rs
Eu adoro bebidas alcóolicas, como você pode ver no meu último post…rsrs
Mas, sempre tive a consciência de que bebida e volante não combinam. Também apoio a nova Lei e acho que só vai nos trazer coisas boas. Um viva aos taxistas!!!
Bisous e uma ótima semana.
Tô sempre andando de táxi, hehehe!
Adorei o texto do Dráuzio; sábio como sempre, né?
Quanto à faixa, coloque lá no Maçã semana passada e a galera morreu de rir!
Bjão e otima semana.
Querido, eu adoro beber. Para mim toda e qualquer comemoração tem que ter bebida alcoólica e é por esse motivo que nem eu e nem o marido sabemos qual é a diferença entre acelerador, freio e embreagem. Gostei do seu post.
Ci,
Vim avisar que estou de voltaaaaaaaaaa!!!
Bom senso é tudo nessa vida não???
To morreeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeendo de saudades..
BIG BIG BIG Beijoooooooooooos
pois é, pra q arriscar a vida?
se fosse só a própria tdo bem, mas o pior é qdo afeta 3o.s
amei a faixa..ahaha
saudadeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
/(,”)\\
./_\\. Beijossssssssss
_| |_……………..
Sugiro que o governo aplique a lei corretamente e use o metodo, já utilizado mundo afora que testa todas as outras drogas a partir de uma simples amostra de saliva. Ai sim, pois muita gente se droga com anfetaminas (presente nos remedios para emagrecer), soníferos, ansioliticos, rebite(caminhoneiros), antidepressivos, além das ilicitas cocaina, maconha, extase, crack, entre outras e sai para dirigir diariamente sem temer nenhuma punição. A lei proibe qualquer substância psicoativa não só o álcool, sabe-se que o impacto no número de acidentes provocados por estas outras drogas é igual ou maior que o do álcool, vejam as nossas estatíscas a redução do numero de mortes pós lei seca foi de apenas 13,6%. Como para isto já existe condições técnicas por que não por em prática, não é mesmo ? Portugal e França já usam o método e quem tiver curiosidade pode ver no site: http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3093364-EI8142,00.html
Também o método é muito mais barato que os bafômetros superfaturados comprados pelo govêrno, além de prático, não invasivo, e muito preciso, e claro testar também a presença de álcool. Vamos incentivar esta idéia, pois é muito mais justa que atingir apenas quem bebe.