Mar172007

Rejeição

Dizem que beleza física é uma terrível armadilha para o ser humano, o qual acaba se descuidando dos valores imortais. Isso pode acontecer, mas eu não chegaria a dizer que todas as pessoas bonitas estão perdidas, porque as que se consideram feias também têm suas tentações. Tanto os bonitos quanto os feios podem ser obcecados pela aparência. Ou não?

Primeiro, é preciso que se diga que ser bonito ou feio não tem tanto a ver com traços fisionômicos. Existe sim uma beleza física, exterior, mas que perde totalmente a graça, se não for acompanhada da beleza interior, como gentileza, vivacidade, inteligência, etc. Não se gostar, não acreditar em si, também é uma coisa muito feia. Uma pessoa que não confia em si, pode ser uma escultura de bonita, mas sem prazer de viver fica apagada. Não chama atenção, porque não se dá atenção. Não que seja desejável ter a atenção dos outros, mas é uma coisa que fica automática: os olhares se voltam pra quem é confiante e seguro de si. É uma questão de fluidos, do tipo de impressão que estas pessoas causam nas outras, sem querer.

Agora , os inseguros, que se sentem feios, gordos, disformes, correm o mesmo perigo que os fisicamente atraentes? De uma certa maneira, sim. Sabe por quê? Porque a obsessão por dietas e tratamentos embelezadores não deixa de ser um culto à aparência, tanto quanto o que é praticado por aquelas pessoas que se acham maravilhosas e só pensam nisto. Uma pessoa que desperdiçou a vida em sacrifícios para ficar mais bonita exteriormente, que mérito ela tem? O mérito de ter sido feia? Às vezes, ela nem era tanto, mas como não se gostava, achava que os outros também não gostavam. Vai ver, deixou de viver, de namorar, de ir a festas, só de medo de ser rejeitada. Vai ver, deixou de fazer um monte de coisas, de evoluir num punhado de aspectos, inclusive o social, de tanto horror de ser rejeitada. Só que ninguém é rejeitado. Cada um é que se rejeita.

Vou falar: não tem jeito de me sentir rejeitado. Nunca tive problemas com isso. Podiam achar ruim, criticar (tem gente que critica por pura falta de assunto, por não ter nada a dizer). Nunca me importei com isso. Sempre pensei que quem me quisesse, que quem gostasse de mim, gostaria do meu jeito, sem tirar nem pôr. Sempre fui confiante. Ah, mas fulano é mais bonito. E é? Sou mais eu. Eu sou sempre mais eu. Lindo como sempre; lindo de todo jeito; maravilhoso, um espetáculo. Não por ser dotado de uma beleza exterior ímpar, mas sim por tudo que tenho aqui dentro de mim e que explode e irradia alegria e energia positiva por todos os lados.

Atitude é tudo.

baseado num texto de Calunga, diversas vezes alterado e adaptado por mim.

Outono – Djavan

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