Jan202005

O poder do Riso

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Temos um grande número de pesquisadores em muitos campos explorando o papel do riso no bem estar de nosso corpo e mente. Koestler fala dele como um “reflexo de luxo”, que só pode estar evoluído nos seres humanos no estágio de “emancipação cortical”, quando nos tornamos capazes de perceber nossas “próprias emoções como redundantes, e admitir, sorrindo: fui surpreendido”. Ele também afirma que o riso só poderia ter surgido “numa espécie biologicamente segura com emoções redundantes e autonomia intelectual”.

Um propósito chave do riso, é que ele nos mantém livres da tirania do nosso passado e de nossa sociedade. Das crenças que costumamos arrastar desde a mais tenra infância e dos contextos sociais robotizantes.

O riso é também uma forma de lidarmos com o que não conseguimos explicar, pois ele nos possibilita o distanciamento temporário de um evento sobre o qual não temos controle, lidar com ele e depois continuar saudável com nossas vidas. O riso após emoções que poderiam nos desequilibrar e roubar a energia necessária para permanecer na realidade, nos purifica e nos recoloca na situação, porém com a atenção desperta.

O riso desenvolve uma habilidade criativa, que estimula a flexibilidade mental e traz portanto uma capacidade ampliada do uso da inteligência.

O riso também pode definir nossa sanidade.
Nossa habilidade em associar universos de discursos independentes só funciona quando estamos mentalmente sãos. Koestler define essa habilidade como a chave do riso e da criatividade. O momento em que pacientes clinicamente deprimidos dão risada é um momento de ruptura em direção à cura. Até aquele ponto eles haviam sentido seu mundo como um lugar constantemente amedrontador e hostil.

A vida não deve ser vista de forma tão literal, precisamos ser capazes de usar o contexto “faz de conta”, que é a marca registrada de uma criança espontânea e da imaginação humana.

A Terapia do Riso resgata a noção de aprender a brincar com nossa dor e descobrir meios de trazer nossas crenças para o presente, ajustando-as ao que somos hoje, ou seja, à nossa realidade.

As pessoas que conseguem rir, lidam de forma muito mais saudável com a sua realidade, percebem o mundo e tudo que as cerca com intensidade e vitalidade. São mais humildes quando têm sucesso e menos derrotadas em momentos difíceis.
É algo como não ter medo de viver o presente, o real, os fatos, porque existe um prisma de positivismo que os faz crer que existem infinitas saídas e formas de transformar os desafios em aprendizados.

Com certeza há coisas mais importantes na vida do que achar engraçado o que fazemos, mas não consigo imaginar qualquer outra coisa que faça a minha vida valer mais a pena.

Uma das crenças mais persuasivas que nos impedem de viver a vida que queremos é a de que devemos ser sérios para sermos respeitados. Confundimos responsabilidade com seriedade e perfeição nas coisas que fazemos. É essa confusão que nos leva a perder contato com aquele “lugar interior do riso, da brincadeira, da vontade espontânea de aprender” que pode dar alegria às nossas vidas. Abandonamos a nossa criatividade em prol da responsabilidade e do respeito.
Não acho que seja uma questão de troca ou opção, pois ao contrário do que os “donos dos sistemas” querem pregar, podemos ser criativos, respeitáveis e responsáveis a todo momento, e necessariamente bem humorados e positivos. E ainda mais, livres internamente.

“O riso nos livra do vazio, por um lado, e do pessimismo, por outro, mantendo-nos maiores do que aquilo que fazemos e maiores do que o que pode nos acontecer”.

A. Penjon
Texto extraído do livro “O poder de cura do Riso”

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A partir de hoje vou colocar letras de músicas de Carnaval, já que este está chegando.

A de hoje é “Me segura senão eu caio”, com Alceu Valença.

“Nos quatro cantos cheguei
E todo mundo chegou
Descendo ladeira
Fazendo poeira
Atiçando o calor

E na mistura colorida da massa
Fui bater na praça a todo vapor
Descambei passando pelos bares
Cheirei a menina e voei pelos ares
No pique do frevo caí como um raio
Me segura que senão eu caio
Me segura que senão eu caio”

Me segura senão eu caio – Alceu Valença

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