Os Macacos

28.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

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Cinco macacos faziam parte de uma experiência, trancados em uma grande jaula, com uma escada dobrável no centro e um cacho de bananas pendurado, bem ao alcance daquele que subisse a escada.

Pois bem. Cada vez que um dos macacos começava a subir a escada, em busca da banana, os cientistas ligavam uma mangueira e lançavam um forte jato de água gelada sobre os outros quatro macacos.

Depois de um certo tempo, cada vez que um macaco tentava subir a escada, era atacado e fortemente espancado pelos outros quatro. Até que ninguém mais pensava em subir a escada, por mais apetitosas que fossem as bananas.

Então os cientistas substituíram um dos macacos. O macaco novato, ao ver as bananas, e a escada, e sem saber o que se passara anteriormente, foi direto em direção à comida. Tomou uma grande surra. Deve ter achado aquilo tudo muito estranho. Fez outras tentativas e foi surrado outras vezes. Até que desistiu.

Os cientistas substituíram outro macaco. A história toda se repetiu. O segundo macaco substituto tentou pegar a banana e foi atacado pelos demais, inclusive pelo macaco anterior, que, por sinal, participou do ataque com grande entusiasmo (afinal de contas, deve ter pensado, agora eu faço parte do time dos vencedores!).

E assim os cientistas trocaram o terceiro macaco, depois o quarto e por fim o quinto macaco original. E tudo se repetia. O macaco recém-chegado tentava pegar as bananas, era espancado pelos outros quatro, fazia outras tentativas, apanhava mais, até que desistia.

Nesse ponto da experiência os cientistas tinham um grupo de macacos que nunca tinham sido atacados com jatos de água gelada. Entretanto continuavam batendo naqueles que tentavam pegar as bananas.

Se os macacos soubessem falar e se alguém perguntasse “por que vocês atacam e batem em quem tenta se aproximar das bananas” a resposta certamente seria “Não sei. As coisas, por aqui, sempre funcionaram dessa maneira…”

a.d.

*****

A metáfora acima retrata bem a realidade humana.
Mudanças são vistas com muitas reservas.
Pessoas são desestimuladas a inovar, para não acabar com as arcaicas referências dos mais antigos.
Por que não se pergunta o porquê de ser assim?
Se poderia ser de outra forma…
É…
As pessoas se acomodam, mas não deviam.
Afinal, a rigidez mental, o conservadorismo, o tradicionalismo, acabam por engessar a mente humana, privando-a da evolução, do aprimoramento…
Tenho justo receio de que, como os macacos, acabemos por nos esquecer das bananas.

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O que ‘Os Outros’ vão pensar?

23.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

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É admirável o esforço que os meios de comunicação estão fazendo para conscientizar a sociedade sobre a importância de proteger as crianças.
Mas, pra ser franca, quando eu era pequena não tinha medo nenhum de bicho-papão,
mula-sem-cabeça ou de bruxa malvada. Quem me aterrorizava era outro tipo de monstro. Eles atacavam em bando. Chamavam-se Os Outros.
Nada podia ser mais danoso que Os Outros. As crianças acordavam de manhã já pensando neles. Quer dizer, as crianças não: as mamães. Era com os outros que elas nos ameaçavam caso não nos comportássemos direito. Se não estudássemos, Os Outros nos chamariam de burros. Se não fôssemos amigos de toda a classe, os Outros nos apelidariam de bicho-do-mato. Se não emprestássemos nossos brinquedos, Os Outros nunca mais brincariam conosco.
E o pior é que as mães não mantinham a lógica do seu pensamento. “Mas mãe, todo mundo dorme na casa dos amigos” “Eu lá quero saber dos Outros? Só me interessa você!” Era de pirar a cabeça de qualquer um. Não víamos a hora de crescer para nos vermos livres daquela perseguição.

Veio a adolescência, e que desespero: descobrimos que os Outros estavam mais fortes do que nunca, ávidos por liquidar com nossa reputação. “Você vai na festa com esta calça toda furada? O que Os Outros vão dizer?” “Filha minha não viaja sozinha com o namorado, não vou deixar que vire comentário na boca dos Outros”.
Não tinha escapatória: aos poucos fomos descobrindo que os outros habitavam o planeta inteiro, estavam de olho em todas as nossas ações, prontos para criticar nossas atitudes e ferrar com nossa felicidade.

Hoje eles já não nos assustam tanto. Passamos por poucas e boas e, no final das contas, a opinião deles não mudou o rumo a nossa história. Mas ninguém em sã consciência pode se considerar totalmente indiferente a eles. os outros ainda dizem horrores de nós. Ainda têm o poder de nos etiquetar, de nos estigmatizar. A gente bem que tenta não levá-los a sério, mas sempre que bate uma vontade de entregar os pontos ou de chorar no meio de uma discussão, pensamos: “Não vou dar este gostinho para Os Outros”.

Martha Medeiros

**********

É deveras incômoda a preocupação que se tem com o que “os outros” vão pensar.
Quantas pessoas não deixam de fazer o que querem pelo medo que têm da opinião “dos outros”?
Quantas não abdicam de suas maiores vontades, porque “os outros” podem pensar mal a respeito delas?
E assim por diante…
“Os Outros”…
Sempre eles…
Pessoas hipócritas esses “os outros”!
Estão a toda momento nos estigmatizando, estereotipando, criticando nossa maneira de ser, de pensar, de agir, quando sequer cuidam de suas próprias vidas.
Vivem nos julgando pelo que fazemos e dizemos, quando na verdade morrem de vontade de igualmente fazê-lo, e dizê-lo, mas não têm coragem para tanto.
Acusam-nos de seus próprios vícios.
A Martha estava certa quando disse que ninguém pode ser totalmente indiferente a eles, mas eu, particularmente, bem que tento chegar o mais perto possível dessa indiferença, pois sou o que sou, e não o que dizem. Sou o que sou, e não o que gostariam que eu fosse. Do meu jeito, com minhas qualidades e defeitos, vícios e virtudes, sem tirar nem pôr. Único, como cada um de vocês.
É isso que nos torna perfeitos: a diferença! A singularidade, a diversidade de pensamento, de atitude, etc.
Portanto, desculpem os mais pudicos, quero mesmo é que “os outros” se explodam, porque, como diria minha amiga Catarina Oliveira, está para existir monstro mais funesto do que aquele que poda nossa liberdade.
Sejam vocês mesmos. Sempre.
Afinal, nem “O cara lá de cima” agradou a todos. Quem dirá nós…

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Amigos

21.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

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Bem, ontem foi o “Dia do Amigo”. Como eu já havia publicado um texto, preferi deixar minha homenagem para hoje. Então, ei-la agora:

Amigos são a família que temos o privilégio de escolher.

E eu sou afortunado por ter excelentes amigos.

Amigos de colégio? Hum… Quase nenhum, é certo (eu devia ser um porre. rsrs), mas desde que entrei na Faculdade, onde cursei Direito, comecei a reconhecer melhor os amigos.

Reconheci tantos por lá… Tudo bem que hoje o contato não se faça tão frequente, porque temos trabalho, vidas corridas, etc, mas os amo tanto… Muito mesmo. E hei de amá-los sempre. Os do turno da manhã e os da noite. Amigos alunos, amigos professores, amigos funcionários… Amigos…

Alguns outros reconheci no Exército. Nunca pensei que fosse ter tantas amizades do sexo masculino (logo eu que sempre tive muito mais proximidade com as mulheres). Realmente, foi o melhor legado que o EB (Exército Brasileiro) me deixou: amizades sinceras. Ali pude ver realmente o real significado da palavra união, determinação, garra, companheirismo, etc. Amigos alunos, amigos aspirantes, amigos tenentes, amigos oficiais superiores (hum… nem tanto… rsrs), mas principalmente amigos soldados, cabos e sargentos. Ahhh, aquele soldado 09… Era uma peste, dava um trabalho, mas eu adorava quando ele vinha todo sem jeito, com alguma coisa para eu comer e dizia “tenente, trouxe para o senhor, porque o senhor é meu amigo”. E eu via nos olhos dele que aquele gesto não era para me agradar por ser de patente superior à dele. Sinto saudades daquela época.

Iniciei nesse tal mundo virtual, blogueiro, orkutiano. E que maravilha! Amigos virtuais não. Amigos reais reconhecidos através da virtualidade da internet. É bem diferente. Nossa! Tantos amigos reconheci através desse blog “Simples Coisas da Vida”. Pessoas maravilhosas, encantadoras, companheiras, leais, confiáveis… Amigas, ora essa. Que choraram pelas minhas lágrimas, que se alegraram com minhas alegrias, que compartilharam tantos momentos maravilhosos, que páram alguns minutos por dia para vir aqui e, ao menos, dizer um “olá, como vai você?”… Amigos reais, sim, que muito amo e quero bem.

Enfim, amigos de colégio, amigos do exército (CPOR-Recife e 7º RO), amigos da faculdade, amigos da rua, amigos da academia, amigos do hóquei sobre patins, amigos blogueiros, amigos do orkut e de tantos outros lugares, amigos… Família. Afinal, família é muito mais sintonia que pura e simplesmente laços de sangue.

Quão privilegiado me sinto por ter tantos e verdadeiros amigos.

A todos vocês, o meu muito obrigado por simplesmente existirem em minha vida.

Sinceramente.

Cirilo Veloso Moraes

obs: ahhh… você leu tudo isso e descobriu que sou seu amigo, ou que posso vir a sê-lo? Ao lado há o meu e-mail do uol e o meu msn.
Então, contacte-me. Simples assim. ;)

**********

Agora, fiquem com um belo texto sobre a amizade, do brilhante Vinícius de Moraes.

“Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.

Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor.
Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários.
De como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.

Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

E me envergonho, porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.”

Amigos para siempre - Jose Carreras e Sarah Brightman

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Amor…

20.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

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… mas quem é esse personagem que atinge e comove pessoas de todas as idades?
… que as faz perceber que não estão sozinhas no mundo,
porque um sentimento invisível as une a outro ser?
… que lhes permite descobrir que no silêncio da noite existe uma outra alma
em que ecoam as suas vozes?

Costuma-se dizer que o amor cega.
Mas que mais poder-se-ia esperar de uma luz tão intensa?
É por isso que muitas pessoas têm medo de amar.

Porque amar é deixar-se incandescer por essa luz
e ver abrir-se diante de si
a porta de um castelo encantado.

Porque o amor é um acontecimento misterioso,
capaz de mudar todas as coisas.
Na verdade, as pessoas inseguras temem o que possam encontrar atrás
desse mágico portal: um anjo ou um demônio…

Amar é nos olharmos em outra pessoa como num espelho,
e descobrirmos nela a ausência de barreiras.
No fundo, é como um reencontro de nós mesmos no outro,
é o regresso à unidade primordial,
é uma experiência maravilhosa, prazerosa e bela.

É o encontro de duas almas, pois para a realização do amor
convergem as vivências de totalidade,
de harmonia profunda
e de união.

Fonte: Círculo do Livro, 1997.

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A história do lápis

18.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

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A menina olhava a avó escrevendo uma carta e perguntou:

- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E, por acaso, é uma história sobre mim?

A avó parou a carta, sorriu, e comentou:

- Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele!

A menina olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.

- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!

- Tudo depende do modo como você olha as coisas.

Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.

“Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à sua vontade”.

“Segunda qualidade: de vez em quando preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.”

“Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça”.

“Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.”

“Finalmente, ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida, irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação”.

a.d.

*****

E como sempre me lembra um amigo meu, em cada e-mail que envia, “o que fazemos na vida ecoa na eternidade”.

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Falta de tempo

16.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

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A vida são deveres que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas…
Quando se vê, já é sexta-feira…
Quando se vê, já terminou o ano..
Quando se vê, passaram-se 50 anos…

Agora, é tarde demais para ser reprovado.

Se me fosse dado um dia,
outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.

Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho
a casca dourada e inútil das horas.

Dessa forma, eu digo:
não deixe de fazer algo que gosta devido a falta de tempo.

A única falta que terá será desse tempo que infelizmente não voltará mais.

Mário Quintana

*****

Realmente, o tempo não volta, o tempo não pára, e a vida, como diria Cazuza, é breve. Vida louca, vida breve…
Portanto, nunca deixe nada para depois, para amanhã, pois o futuro é incerto e desconhecido de todos…
Faça, aja, viva, ainda que erre, mas nunca, nunca mesmo, deixe para depois.

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Fim de Noite

15.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

Esse post não conterá um texto edificante, uma mensagem de otimismo, alto astral, algo para reflexão, nem nada.

Este é meu, num dos poucos momentos “Blog Diário” do ‘Simples Coisas da Vida’.

Como mencionei no post anterior, estou com o corpo mole, dolorido, com dor de cabeça, etc.

Estava aqui em casa, pronto para ver o jogo do Brasil, quando meu vizinho chamou-me até a casa dele para assistir dois filmes, quais sejam: “Efeito Borboleta” (Butterfly Effect) e “Homem-Aranha 2″ (Spider-man 2), ambos baixados da net.

Assim economizo 30 reais, 15 por cada entrada de cinema. Ótimo, não acham? Simples. Baixamos os filmes, ligamos na TV de 34 polegadas e assistimos numa boa. ;) A única despesa que tive foi de energia, pois precisei descer as escadas de minha casa e ir até a casa do vizinho. rsrsrs…

Ainda bem que fui. Assim não tive o desprazer de ver a seleção perder para o Paraguai por 2×1.

Os filmes são ótimos.

“Homem-Aranha” é mentiroso pra caramba, mas se assim não fosse graça nenhuma teria, obviamente. rsrs… É da própria essência da estória ser assim. Gostei do filme, haja vista ser aventura do início ao fim.

“Efeito Borboleta” é interessante demais. Sugiro que assistam. Sobre o fato de se brincar de Deus, querendo mudar os acontecimentos da vida… Não é possível mudar o passado das pessoas sem mudá-las também. Então, por mais que se deseje consertar algo que o perturbe, mister deixar como está, porque acaba-se mudando tudo lá na frente, criando consequências muitas vezes desastrosas. Mudar o passado, faz mudar inevitavelmente o futuro, de maneira imprevisível. Como diz a própria chamada do filme, “Change one thing, change everything”. Assistam. Não irão se arrepender.

É… Entendo o que o Veríssimo pensou quando escreveu “é melhor viver do futuro que do passado”, no texto “Versões de mim“. Não vale a pena querer mudar o que já passou. Bem ou mal foi assim que aconteceu. E ponto.

Além do mais, como coloquei em um certo post, melhor viver o presente do que passar o resto da vida desejando uma situação diferente.

Bem agora vou tomar um banho e dormir para ver se melhoro logo.

Beijos para quem é de beijo e abraços para quem é de abraço.

Excelente quinta-feira para todos.

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O vendedor de balões

14.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

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Era uma vez um velho homem que vendia balões numa quermesse.
Evidentemente, o homem era um bom vendedor, pois deixou um balão vermelho soltar-se e elevar-se nos ares, atraindo, desse modo, uma multidão de jovens compradores de balões.
Havia ali perto um menino negro.
Estava observando o vendedor e, é claro apreciando os balões.
Depois de ter soltado o balão vermelho, o homem soltou um azul, depois um amarelo e finalmente um branco. Todos foram subindo até sumirem de vista.
O menino, de olhar atento, seguia a cada um.
Ficava imaginando mil coisas…
Uma coisa o aborrecia, o homem não soltava o balão preto.
Então aproximou-se do vendedor e lhe perguntou:

- Moço, se o senhor soltasse o balão preto, ele subiria tanto quanto os
outros?

O vendedor de balões sorriu compreensivamente para o menino, arrebentou a linha que prendia o balão preto e enquanto ele se elevava nos ares disse:

- Não é a cor, filho, é o que está dentro dele que o faz subir.

a.d.

*****

Não é a cor e poderíamos estender para tantas outras coisas que não influem no conteúdo das pessoas.
Não é a cor que torna uma pessoa melhor, ou pior, que outra;
não é o poder, dinheiro, fama, etc.
O que realmente importa é o que cada um tem dentro de si mesmo,
que o torna único, insubstituível.

*****

Estou malzão…
Com o corpo mole, todo dolorido, a cabeça doendo, indisposto, de cama…
Por isso, não atualizei o blog antes.
Abraços para quem é de abraço e beijos para quem é de beijo.

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O guardião do castelo

12.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

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Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou então todos os discípulos para determinar quem seria o novo sentinela. O Mestre, com muita tranqüilidade, falou:

- “Assumirá o posto o primeiro monge que resolver o problema que vou apresentar.”

Então, ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo e disse apenas:

- “Aqui está o problema!” Todos ficaram olhando a cena. O vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro. O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?

Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e … ZAPT … destruiu tudo, com um só golpe. Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse:

- “Você será o novo Guardião do Castelo.”

Moral da História: Não importa qual o problema. Nem que seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado. Um problema é um problema. Mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou, tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, tem que ser suprimido.

Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam um espaço inútil em seus corações e mentes. Espaço esse indispensável para recriar a vida. Existe um provérbio oriental que diz: “Para você beber vinho numa taça cheia de chá é necessário primeiro jogar o chá fora, para então, beber o vinho.”

Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários, até chegar às pessoas do passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em seu coração. O passado serve como lição, como experiência, como referência. Serve para ser relembrado e não revivido. Use as experiências do passado no presente, para construir o seu futuro. Necessariamente nessa ordem!

a.d.

**********

“Para ser relembrado, e não revivido”. Que frase perfeita!
Esse texto, a meu sentir, poderia ser resumido em uma breve palavra: desprendimento.
E que atitude essa de desprender-se do passado…
Difícil, certamente, mas do mesmo modo imprescindível para vivermos o presente e construirmos bem o nosso futuro.
Guardar as boas lembranças, sim, mas ficar preso a algo que não deu certo é reprimir a nossa própria evolução, é impedir que as coisas se realizem. Se não nos libertarmos do que ficou pra trás, acabaremos nos acomodando com a situação, ficaremos parados no tempo… E a vida só tem um sentido: pra frente, adiante.
Portanto, guardemos as boas lembranças, as experiências vividas, o que de bom ficou de tudo aquilo que já passou.
O resto…
Eliminemos!
Quando não há o que nos impeça, as coisas acontecem sim.

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A importância de dizer “Te amo”

09.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

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Depois de 21 anos de casado, descobri uma nova maneira de manter viva a chama do amor.

Há pouco tempo decidi sair com outra mulher. Na realidade, foi idéia da minha esposa.
- Você sabe que a ama - disse-me minha esposa um dia, pegando-me de surpresa.
- A vida é muito curta, você deve dedicar especial tempo a essa mulher…
- Mas, eu te amo - protestei à minha mulher.
- Eu sei. Mas, você também a ama. Tenho certeza disso.
A outra mulher, a quem minha esposa queria que eu visitasse, era minha mãe, que já era viúva há 19 anos, mas as exigências do meu trabalho e de meus 3 filhos, faziam com que eu a visitasse ocasionalmente.
Essa noite a convidei para jantar e ir ao cinema.
- O que é que você tem? Você está bem? Perguntou-me ela, após o convite.
Minha mãe é o tipo de mulher que acredita que uma chamada tarde da noite ou um convite surpresa é indício de más notícias.
- Pensei que seria agradável passar algum tempo contigo - respondi-lhe.
- Só nós dois. O que acha?
Ela refletiu por um momento.
- Me agradaria muitíssimo - disse ela sorrindo.
Depois de alguns dias, estava dirigindo para pegá-la depois do trabalho, um tanto quanto nervoso; era o nervosismo que antecede a um primeiro encontro… e, que coisa interessante! Pude notar que ela também estava muito emocionada. Esperava-me à porta de casa com seu casaco. Havia feito um penteado e usava o vestido com que celebrou seu último aniversário de bodas. Seu rosto sorria e irradiava luz como um anjo.
- “Eu disse às minhas amigas que ia sair com você, e ficaram muito impressionadas”. Comentou, enquanto subia no carro.
Fomos a um restaurante não muito elegante, todavia, aconchegante. Minha mãe se agarrou ao meu braço como se fosse “a primeira dama”. Quando nos sentamos, tive que ler para ela o menu. Seus olhos só enxergavam grandes figuras. Quando estava pela metade das entradas, levantei os olhos: mamãe estava sentada do outro lado da mesa e me olhava fixamente. Um sorriso nostálgico se delineava nos seus lábios.
- Era eu quem lia o menu quando você era pequeno - disse-me.
- Então é hora de relaxar e me permitir devolver o favor - respondi.
Durante o jantar tivemos uma agradável conversa. Nada extraordinário; só colocando em dia a vida um para o outro. Falamos tanto que perdemos o horário do cinema.
- Sairei contigo outra vez, mas, só se me deixares fazer o convite – disse minha mãe quando a levei para casa. Concordei.
- Como foi teu encontro? – quis saber minha esposa quando cheguei aquela noite.
- Muito agradável… muito mais do que imaginei…
Dias mais tarde minha mãe faleceu de um infarto fulminante. Tudo foi tão rápido… não pude fazer nada. Depois de algum tempo recebi um envelope com cópia de um cheque do restaurante de onde havíamos jantado minha mãe e eu, e uma nota que dizia:
- “O jantar que tivemos paguei antecipado, estava quase certa de que poderia não estar ali, por isso paguei um jantar para você e a sua esposa. Jamais poderás entender o que aquela noite significou para mim. Te amo”.

Nesse momento compreendi a importância de dizer a tempo: “Te Amo” e de dar a nossos entes queridos o espaço que merecem. Dedique tempo a eles porque eles não podem esperar.

Taher Morhy

*****

Realmente, dizer “Eu te amo”, demonstrar e declarar um sentimento de afeto, carinho, admiração, é mister sempre, pois nunca sabemos se teremos uma outra oportunidade para tanto. Sem falar que não temos noção do bem que proporcionamos a alguém
declarando nosso amor. Amor esse no sentido amplo, universal. Pode ser para parentes, amigos (que inclusive são a família que escolhemos, haja vista que família, a meu ver, é muito mais sintonia do que sangue pura e simplesmente), amantes, colegas de trabalho, companheiros de caminhada, etc. Importante é declarar isso sinceramente. Sem medo, sem receio, sem vergonha. Então, demonstre o seu amor por alguém, diga que ama, que quer bem, que adora, que gosta muito, etc. Só não deixe para depois, porque justamente o que não está sob nosso controle é o depois, o futuro, que é incerto e desconhecido de todos.

Eu amo você, querido amigo, querida amiga… Você também, que caiu aqui não se sabe como, procurando por alguma coisa na net, no site do google, ou em outro sistema de busca, e deixou um “oi, adorei seu blog. Voltarei sempre”… Você, que está sempre por aqui, mas nunca se manifesta, quer seja por meio do sistema de comentários, quer seja por e-mail (fique à vontade para dar o ar de sua graça)… E até mesmo você, que aparece de vez em quando, que nem tenho idéia de quem seja, que nunca se manifestou de forma nenhuma, mas que eu sei que esteve aqui (sinta-se à vontade para vir quando bem entender. O blog está aberto 24 horas por dia, 7 dias por semana, 30 dias por mês, 365 dias por ano. Então, sinta-se em casa, sente-se confortavelmente em algum lugar e deleite-se com belos textos para reflexão).

Beijos para quem é de beijo, abraços para quem é de abraço.

Excelente sexta-feira.

Obs: Queria saber a opinião de você, querido leitor, sobre o fato de publicar textos também nos finais de semana. Muitas vezes não publico porque o número de pessoas que aqui entram é drasticamente menor do que nos dias de semana. E como penso que quando entrar aqui na segunda, a grande maioria não lerá os textos do sábado e do domingo, não publico nesses dias.
Então, pergunto:
1) Gostaria que fosse publicado textos também nos finais de semana?
2) Quando entra aqui no blog costuma ler somente o texto mais recente ou volta e lê os anteriores que não leu antes?
3) Caso não entre aqui no blog nos finais de semana, qual o motivo para isso?

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Busque um amante

07.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

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Amante é “aquilo que nos apaixona”.

É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono, e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.

O nosso amante é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.

Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.

Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música ou na política, no esporte ou no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente ou na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto…

Enfim, é “alguém” ou “algo” que nos faz “namorar” a vida e nos afasta do triste destino de “ir levando”.

E o que é “ir levando”? É ter medo de viver. É vigiar a forma como outros vivem, é se deixar dominar pela pressão, é perambular por consultórios médicos, é tomar remédios multicoloridos, é afastar-se do que é gratificante, é observar decepcionado cada ruga que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou frio, com a umidade ou a chuva. “Ir levando” é adiar a possibilidade de desfrutar o “hoje”, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.

Por favor, não se contente com “ir levando”, procure ou busque um amante, seja também um amante e um protagonista da SUA VIDA.

Acredite: o trágico não é morrer, afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver; por isso, sem mais delongas, procure um amante.

“Para se estar satisfeito, ativo e sentir-se jovem e feliz é preciso namorar a vida”.

Jorge Bucay

*****

Viva enquanto estiver vivo.
Apaixone-se, enlouqueça…
Não precisa ser por outra pessoa.
Pode ser por qualquer coisa,
mas principalmente
apaixone-se pela vida.

Viva, porque a vida é uma só.

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Quanto vale um sim

06.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

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Você consegue um bom emprego na hora que bem entender? Você descola um amor do dia pra noite? Se entrar num banco, sai de lá com um empréstimo sem burocracia? Se você respondeu sim para todas estas perguntas, parabéns. E fique atento para o horário de partida do seu disco voador, pois a qualquer momento você terá que voltar para seu planeta.

Entre nós, terrestres, o sim é uma resposta rara. Na maioria das vezes, NÃO há vagas, NÃO querem editar nossos poemas, NÃO temos fiador, a garota NÃO quer ouvir uns discos na sua casa, o garoto NÃO quer usar camisinha e o guarda de trânsito NÃO foi com sua cara e vai multá-lo, sim, senhor. NÃO está fácil pra ninguém.

Ao contrário do que possa parecer, esta não é uma visão pessimista da vida. As coisas são assim, dão certo e dão errado. Pessimismo é acreditar que ouvir um não seja uma barreira para realizar nossos planos. Tem gente que fica paralisado diante de um não. Nunca mais vai à luta. Já o otimista resmunga um pouco e em seguida respira fundo e segue em frente.

Quando eu tinha 17 anos, mandei uns versos para um concurso de poesia. Não ganhei nem menção honrosa. Daí entreguei meus versos para o Mario Quintana avaliar. Ele não respondeu. Neste meio tempo eu estava apaixonada por um cara que ignorava minha existência. Quando eu não estava pensando nele, fazia planos de morar sozinha, mas meu estágio não era remunerado. Aí quis viajar para a Europa, mas não consegui entrar num programa de intercâmbio. Surpreendentemente, não me passou pela cabeça a idéia de me atirar embaixo de um caminhão.

Hoje tenho nove livros publicados (cinco deles de poesia), sou casada com o homem que amo, tenho a profissão dos sonhos e viajo uma vez por ano, e tudo isso sem ganhar na megasena, sem cirurgia plástica, sem pistolão ou pacto com o demônio. O segredo: cada não que eu recebi na vida entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Não os colecionei. Não foram sobrevalorizados. Esperei, sem pressa, a hora do sim.

O não é tão freqüente que chega a ser banal. O não é inútil, serve só para fragilizar nossa auto-estima. Já o sim é transformador. O sim muda a sua vida. SIM, aceito casar com você. SIM, você foi selecionado. SIM, vamos patrocinar sua peça. SIM, a Ana Paula Arosio deu o número do celular dela.

Quando não há o que detenha você, as coisas começam a acontecer, sim.

Martha Medeiros

*****

SIM, eu topo.
SIM, estou para o que der e vier.
SIM, amo muito vocês.

Publicado em Crônicas | 21 Comentários »

A vida está nos olhos…

02.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

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É preciso a certeza de que tudo vai mudar;

É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós:

onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.

O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração;

Pois a vida está nos olhos de quem sabe ver …

Se não houve frutos, valeu a beleza das flores.

Se não houve flores, valeu a sombra das folhas.

Se não houve folhas, valeu a intenção da semente.

Henfil

*****

Realmente, a vida está nos olhos de quem a vê, assim como a beleza, poder-se-ia dizer.

Quando se está mal, tudo ao redor parece feio, chato, etc; o contrário ocorre quando se está bem consigo mesmo. Já reparou nisso?

Então, aprenda a estar bem consigo mesmo e tudo ao redor ficará maravilhoso, porque a vida é simples, nós é que a complicamos.

Beijos para quem é de beijo e abraços para quem é de abraço.

Excelente final de semana para todos que por aqui passam.

Gostaria que vocês se manifestassem mais. Caso não queiram se expor nos comentários, ao menos o façam por e-mail. Sintam-se à vontade. Adorarei.

Publicado em Reflexões | 33 Comentários »

Você já reparou?

01.07.2004 por Cirilo Veloso Moraes

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Você já reparou o quanto as pessoas falam dos outros?

Falam de tudo.
Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzices, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos.
Sobretudo falam do comportamento.

E falam porque supõem saber.

Mas não sabem.

Porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente.

Se sentissem não falariam.

Só pode falar da dor de perder um filho, um pai que já perdeu, ou a mãe já ferida por tal amputação de vida.
Dou esse exemplo extremo porque ele ilustra melhor.
As pessoas falam da reação das outras e do comportamento
delas quase sempre sem jamais terem sentido o que elas sentiram.

Mas sentir o que o outro sente não significa sentir por ele.

Isso é masoquismo.

Significa perceber o que ele sente e ser suficientemente forte para ajudá-lo exatamente pela capacidade de não se contaminar com o que o machucou.

Se nos deixarmos contaminar pelo sentimento que o outro está sentindo, como teremos forças para ajudá-lo?

Só quem já foi capaz de sentir os muitos sentimentos do mundo é capaz de saber algo sobre as outras pessoas e aceitá-las, com tolerância.
Sentir os muitos sentimentos do mundo não é ser uma caixa de sofrimentos.
Isso é ser infeliz.

Sentir os muitos sentimentos do mundo é abrir-se a qualquer forma de sentimento.
É analisá-los interiormente, deixar todos os sentimentos de que somos dotados fluir sem barreiras, sem medos, os maus, os bons, os pérfidos, os sórdidos, os baixos, os elevados, os mais puros, os melhores, os santos.

Só quem deixou fluir sem barreiras, medos e defesas todos os próprios sentimentos, pode sabê-los, de senti-los no próximo.

Espere florescer a árvore do próprio sentimento.

Vivendo, aceitando as podas da realidade e se possível fecundando.

A verdade é que só sabemos o que já sentimos.

Podemos intuir, perceber, atinar; podemos até, conhecer. Mas saber jamais.
Só se sabe aquilo que já se sentiu.

Arthur da Távola

Então, abra-se a qualquer forma de sentimento, deixe fluir sem barreiras…

Sinta, sinta sempre.

Publicado em Reflexões | 12 Comentários »

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