Jun202003

Sacanagem

Agradeço a todos que continuam vindo aqui, mesmo estando eu tão ausente… Como já perceberam, estou me formando em Direito este ano e não está sendo fácil conciliar o blog com o corre-corre diário… O tempo de que disponho livre utilizo para pesquisar supedâneo para minha monografia de conclusão de curso… Portanto, blogar está difícil, mas não deixarei de fazê-lo. Somente peço que compreendam e saibam que continuarei postando, mas não com uma frequência diária… Talvez um ou duas vezes por semana… Mas há muito o que se ler nos arquivos… Um grande abraço a todos que fazem deste cantinho um lugar maravilhoso. Lugares assim têm uma energia especial, advinda de seus visitantes, que somente faz-nos desejar estar aqui para gozar dessa maravilha… É o que eu sinto quando entro aqui, neste cantinho nosso… Nem o vejo como meu, mas como de todos nós…

Recebi um texto de minha professora de Direito Civil, Catarina Oliveira. O título é: “Sacanagem”, da Marta Medeiros… Foi publicado na semana dos namorados, mas eu disponibilizo aqui, agora, para vocês… Ei-lo:

Esta é a semana dos namorados, mas não vou falar sobre ursinhos de pelúcia nem sobre bombons. É o momento ideal pra falar de sacanagem.

Se dei a impressão de que o assunto será ménages à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito desiludí-lo. Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é racionado nem chega com hora marcada.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais rápido.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”, duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Ninguém nos disse que chinelos velhos também têm seu valor, já que não nos machucam, e que existe mais cabeças tortas do que pés.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que poderíamos tentar outras alternativas menos convencionais.

Sexo não é sacanagem. Sexo é uma coisa natural, simples – só é ruim quando feito sem vontade. Sacanagem é outra coisa. É nos condicionarem a um amor cheio de regras e princípios, sem ter o direito à leveza e ao prazer que nos proporcionam as coisas escolhidas por nós mesmos.

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