Mar122003

Caminho do meio.

Reparaste que eu avanço
na exata proporção do teu recuo?
Se te mantivesses no caminho do meio
eu não precisaria avançar
e tampouco tu precisarias recuar…

Reparaste que eu encho a tua taça na mesma proporção
de que ela se me apresenta sempre vazia?
Se ela se mantivesse à meia borda,
por certo eu não a transbordaria…

Reparaste que eu falo demais
na exata medida em que tu falas de menos?
Se ao invés de silêncio retornasses as minhas falas,
na tua fala, o meu próprio silêncio se equilibraria …

Reparaste que todos os meus sins
se contrapõem a todos os teus nãos ?
Se houvesse alguns sins dentre os teus nãos,
os meus próprios sins
aprenderiam a dizer talvez e no talvez,
os nossos sins e nãos se reconciliariam…

Avança um pouco para que eu consiga recuar.
Transborda um tanto a minha taça para que eu possa esvaziar.
Rasga de leve o teu silêncio para que eu aprenda a me calar.
Articula algumas afirmações para que eu aprenda a me negar.
Fica da minha altura para que eu não tenha que esticar.
Equilibra assim os nossos pratos
para além da nossa guerra de egos.
…E só então, em plenitude e verdade,
eu poderei te amar…

Fátima Irene Pinto

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