Mar62003

Aceita um palito?

A cortesia é parecida com a manga de um mágico: sempre guarda surpresas agradáveis. No mínimo, uma pomba da paz!

Um sorriso, um cumprimento cordial, um pedido de desculpas, a cessão da vez ou do lugar, um suave “por favor”, um envolvente “obrigado”, e tantos outros comportamentos qualificados como de etiqueta, são elementos que saem aos montes do ventre da cortesia.

A cortesia é sempre maravilhosa, mesmo quando só por interesse – oportunidade em que perde muito de seu encanto. Mas o pior é a sua ausência… Ih! É ruim.

Chegando ao restaurante, enquanto esperava que os pratos fossem servidos, o pai pega um paliteiro, tira um palito e dá-o a filha. Esta, espantada, reage:

- Pra que é que eu quero um palito?

- É um presente meu, filha. Aceite-o.

- Não… Obrigada!

Ato contínuo, deu-o ao filho que também ali estava, sendo por ele aceito com um sorridente “muito obrigado papai!¿.

Minutos depois, chegou o prato principal. Compondo-o, destacava-se uma vistosa azeitona verde.

Calmamente, o pai pede de volta o palito ao filho, espeta-o na azeitona, devolvendo-o em seguida, agora adornado por aquele delicioso petisco.

A filha logo reclama:

- E eu, não ganho uma azeitona, não?

- Não! – respondeu o pai com tranqüilidade – Quando lhe dei um palito de presente foi para que, chegando o prato principal, você fosse a primeira a se servir, tirando a azeitona de que tanto gosta. Como não aceitou o presente…

- Mas papai, se eu soubesse…

- É isso, filha, se você soubesse já teria aprendido que presentes dados têm valores visíveis e invisíveis, e só quem sabe recebê-los tem condições de perceber tudo isso… e desfrutá-los com proveito e sabedoria.

É comum pessoas se desculparem quando alguma coisa saiu errado e que, se tivesse tomado outro rumo, traria vantagens consideráveis. Alega-se que: “Eu não sabia que era assim… que era você… que era pra isso…”. O medo de ser traído é tão forte nos dias de hoje que vivemos sendo traídos por esse medo e não nos damos conta. Não estendemos a mão para uma pessoa com medo de que ela não retribua. Deixamos de cumprimentar alguém com um alô para não passarmos por metidos. Vivemos bancando as avestruzes quando nossa compleição está mais para girafa, ou seja: olhamos para os pés e para o chão com medo dos olhares alheios, e assim, perdemos de ver belos olhos e um céu sempre exuberante. Sorrimos pouco para não nos apontarem como pessoas de pouco siso e somos chatos por isso. Descartamos convites com medo da conta e depois ficamos magoados com quem aceitou e não precisou pagar nada. Somos insinceros com os amigos porque o assunto é delicado, e dessa forma damos cobertura a quem está agindo mal…

Pedir desculpas é uma regra básica da boa convivência, mas viver errando para se desculpar é um erro indesculpável. Pouco desculpável também é não fazer o bom e o certo por receio de ser mal-interpretado. Isso porque a cortesia não se curva à maldade, já que anda de mãos dadas com a bondade que, por sua vez, não é temerária.

Sejamos corteses e educados. Os primeiros e maiores lucros serão creditados, à vista, em nossa conta corrente de felicidade. Um mundo novo de sorrisos, afagos, carinhos, simpatia e amizade abundará por onde transitarmos. Nunca mais seremos indesejados. Deixaremos de ser pessoas chatas.

Assim, oferte cortesia, dê simpatia e doe-se em amizade, mas igualmente aceite e retribua a cortesia, a simpatia e a amizade que lhes são endereçadas. Faça isso com alegria e a alegria será abundante em todos os seus dias.

Concluindo, permita-me saber agora de sua reação: se alguém lhe oferecer um palito, você aceita? É bom que, antecipadamente, você pense sobre isso…

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